Entrevista com Ralp
Confira a entrevista que o Chippanze preparou pra vocês:
Por Eduardo Melo
Nome, idade, país de origem: Raül Peix Roldán; 24; Barcelona, Espanha.
1) Há quanto tempo você trabalha com musica eletrônica? Em quais projetos está se dedicando atualmente?
Fazem aproximadamente 9 anos que trabalho com música eletrônica. Comecei com 15 anos de idade, como DJ de hard techno, produzindo minhas primeiras faixas com um demo do Music Maker para win pc e o jogo Music [ou MTV Music Generator, em terras americanas] de playstation1. Hehe!!
Venho trabalhando com vários projetos diferentes, podemos falar sobre meus projetos individuais, como o Ralp e Ralp8bit, também participo de projetos musicais coletivos como o Distortled Box, NFFCTS, MicroBCN e projetos audiovisuais, Device, Tricoma e NGFX.
Tento ter tempo para todos eles, mas basicamente me concentro nos meus projetos individuais musicais. Já trabalhos de audiovisual, estamos nos dedicando mais no Device (projeto coletivo).
2) Eu vejo que você tem uma agenda de shows bem ativa! Você tem outra ocupação além da música e audiovisuais?
Eu faço dos meus shows uma diversão, e não um ‘trabalho integral’. Ao mesmo tempo eu trabalho com produção musical, a qual dedico bastante tempo, e estudo animação em 3D.
3) Porquê chiptune?
Pessoalmente, eu acho que a música chiptune seja mais como um estilo musical. Prefiro dizer que faço música com tecnologia em 8bit, e não chiptune, desculpa se sou uma aberração!
Quando eu era um garoto, costumava jogar bastante o Game Boy, eu tinha a Game Boy Camera e curtia compor alguns ‘experimentos’ com o Trippy-H. Então, quando eu era realmente pequeno, já sabia da possibilidade de fazer musica com o Game Boy. Além disso, mais importante ainda, é que a musica em 8bit combina perfeitamente com minha filosofia musical.
Eu considero a ‘8bit music’ [n.a.: e não chiptune entrevistador burro...] um dos poucos gêneros que é 100% eletrônico. Acho que gosto disso por esta sua peculiaridade distinta, e também porque sempre gostei de videogames e musicas de videogame.
4) Quais influências do seu trabalho você gostaria de mencionar?
Uff… eu sou um grande entusiasta da música, gosto de escutar muitos estilos diferentes. Geralmente escuto apenas música eletrônica. Existem muitos artistas que me influenciaram no jeito que entendendo e faço música. Eu poderia mencionar nomes como: Goto80, Lo-Bat, Gijs Gieskes, Stu, Dj Scotch Egg, Eat Rabbit… Sem dúvida, estes são alguns dos artistas que aprecio, entre muitos outros.
5) A Espanha tem um gosto espetacular para música eletrônica! Existem grandes festivais do gênero como o SONAR, e também existe o SONAR OFF… Me fale mais sobre isso! Achei demais.
Sim! Eu sempre ouvi falar que a espanha tem muitas coisas interessantes, e muitas festas e festivais maneiros, mas eu moro em Barcelona, e acho que não posso dizer o mesmo daqui…. Não existem muitas alternativas, a 8bitmusic está apenas começando e tudo aqui é bem comercial.
Penso que hoje em dia tem coisas interessantes em todos os lugares, e com certeza muito mais fora da Espanha! Definitivamente, o SONAR é um dos festivais eletrônicos mais importantes, mas do meu ponto de vista, vem perdendo muito nesses últimos anos. É verdade, no entanto, que você pode encontrar muitas outras coisas interessantes em festas pequenas em lugares esquisitos ou mesmo no Sonar Off, por exemplo.
6) Eu te considero um gênio da música eletrônica. Logo pergunto, você participou do desenvolvimento do Reactable, na Universidade de Barcelona?
Ah não! Não sou tão bom a ponto de participar de um projeto tão importante! hehe, mas eu construo algumas máquinas e meus próprios experimentos, mas isso nunca poderia ser comparado a algo como o Reactable.
7) O que você sugere para os novos “chiptuners”?
Mmm, não sei se minhas palavras seriam muito relevantes, mas acredito que seria bom conceber o chiptune como um meio de fazer música, e não como estilo. Estou meio enjoado de ouvir o mesmo tipo de som em todo lugar. É óbvio que este é um sistema muito limitado, muito fácil de se obter e para fazer música, pelo menos, sem soar como a maioria por ai.
Independente do gosto de todo mundo, a tecnologia 8bit pode oferecer mais do que uma simples melodia feliz e uma batida 4 por 4. Eu também diria que, se o ‘chiptune’ é feito com Fruit Loops ou emuladores, dai a essência do 8bit e da palavra “chiptune” perde todo o sentido.
8)Eu vejo que no projeto Ralp 8bit você usa predominantemente o game boy como instrumento, o que mais você gosta de usar para fazer música? Porquê a preferência pelo Game Boy?
Sim, até agora a maioria dos meus sons são feitos com um Game Boy. Eu realmente gosto, é um dos primeiros consoles que joguei quando era garoto, e também é o primeiro em que comecei a fazer 8bit music. Eu também os colecionava – tenho em torno de 60 unidades nas minhas prateleiras hehe.
É um console com bons programas para se fazer música, como o LSDJ e Nanoloop. É muito econômico, fácil e prático. O que é melhor do que fazer música enquanto se viaja num trem ou na cama antes de dormir?
Eu tenho alguns materiais com o MidiNES, com os teclados da Casio e algumas máquinas de circuit bending*. Agora estou começando a produzir com o Commodore64, estou um pouco cansado de tanto Game Boy. Logo os meus carros chefe serão os chips 6581 e 8580 [n.e.: chips do C64].
9)Existem garotas nos eventos 8bit da Espanha? Porque aqui no Brasil o jogo é duro…
Haha, A verdade e que o público daqui esta apenas começando a conhecer a música de 8bit. Por enquanto não tem nem garotos nem garotas… Mas pensando sobre isso agora, eu não conheço nenhuma garota que faca música 8bit por aqui. Vou ter que ensinar minha namorada para que ela seja a primeira!
10)Pra fechar… O que você acha da chipmusic na europa e do “cenário chiptune” pelo mundo (se é que isso existe)?
Chiptune is dead. [n.a.:dispensa tradução]
\o/
Gracias Ralp!

melhor q&a sobre “chipmusic” ever. puta que pariu, arregaçou dred!
chiptune is dead! long live chiptune!
arrepiaram, meus caros. ralp te amo! adoro seu trabalho na dupla christian e ralp!
bjomeliga
Acho que quem deveria ter estudado jornalismo não deveria ser eu, e sim o dred. Aliás, o dred já é jornalista, assim como todos nesse site. O diploma que vou pegar ano que vem vai servir pra pouca coisa
Então, pela extinção da obrigatoriedade de TODOS os diplomas! Já chega de piada de jornalista!
Mas, no começo o entrevistado diz que não considera ‘chiptune’ um termo pra um tipo de música eletrônica, chama de ‘8bit music’, depois VOLTA a chamar de chiptune, VOLTA pra ‘8bit music’ DE NOVO e acaba VOLTANDO pra ‘chiptune’ NOVAMENTE. Que diabos?!?!?
Fora isso, boa entrevista.
valeu demais rapazes gentis.
o meu sonho é ser âncora do jornal nacional
Kosher! a entrevista foi feita por email mano, sem alterações
ele respondeu tudo numa leva só.
Nas próximas o métodos de entrevista serão mais apurados.
e vejam só, foi a 1ª entrevista que o cara concedeu hein!
sensacional
abrazzz
ah sim, o entrevistado… dãaah
o cara considera o chiptune e a 8bitmusic de forma diferenciada, sendo q no trabalho dele ele mexe com musica eletronica experimental em geral, o Ralp não curti rótulos hehe. A pergunta 7 dá uma esclarecida nesse assunto talvez!
apesar de falar q o chiptune tá morto, ele se refere ao que seria a definição de tal termo. acho q é isso bro
“Nas próximas o métodos de entrevista serão mais apurados.”
mais apurados? não dá.
e kosher, pára de reclamar um pouco, só pra variar!
é verdade André.
Enfim, é a 1ª entrevista do Ralp E do Chippanze =D orgulho total! Agora me lembrei, a preferência dele foi fazê-la via mail, pois precisava traduzir o inglês. Não ficou tão dinâmico quanto uma entrevista ao vivo, mas achei o resultado final acima do esperado! quando der pra fazer ao vivo, obviamente faremos. o q pode ajudar a esclarecer esta nóias do Kosher! leia a entrevista novamente com as ressalvas pra tu compreender a dicotomia, Chiptune e música de 8bit. passei a entrevista pro meu irmão caçula e ele sacou mano! huehuehue
p.s.: escutaram OXURIA MEMOTH do Ralp no myspace?? demência pura! —> http://www.myspace.com/ralp8bit
abrazz a todos
…e meu irmão caçula não tem 30 anos! como alguns ai estão pensando…
Ele tem uns 20 né?
E po, entrevista não precisa ser pessoalmente. Se houver a possibilidade, melhor, pq há uma fluência na conversa, vc pode perguntar sobre algo que o cara fala numa outra resposta, essas coisas que todos sabem.
O Dred mandou bem na entrevista, perguntou perfeitamente.
haha muito bom